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Resposta direta

Em regra, não pode sozinha. O art. 1.634, V, do Código Civil atribui a ambos os pais, qualquer que seja a situação conjugal, a competência para conceder ou negar consentimento para que os filhos mudem sua residência permanente para outro município. E o art. 1.583, § 3º, acrescenta que, na guarda compartilhada, a cidade considerada base de moradia dos filhos será aquela que melhor atender aos interesses deles. Sem acordo, o caminho é pedir a autorização ao juiz, e não mudar primeiro e avisar depois.

É uma das situações mais angustiantes que chegam ao escritório, porque de um lado há uma oportunidade real, um emprego, uma família que acolhe, uma vida que recomeça. Do outro há uma criança e um pai ou uma mãe que ficará a centenas de quilômetros. A lei não proíbe mudar. Ela exige que a decisão seja tomada por quem tem autoridade para tomá-la, e são os dois.

O que o Código Civil determina

O art. 1.634 lista o que compete a ambos os pais, qualquer que seja a sua situação conjugal, no pleno exercício do poder familiar. O inciso V é direto: conceder-lhes ou negar-lhes consentimento para mudarem sua residência permanente para outro Município.

Repare em três coisas nessa redação. Primeiro, a competência é de ambos, e a separação do casal não altera isso. Segundo, o verbo é consentir: existe um direito de negar, que a lei reconhece. Terceiro, a hipótese é de residência permanente em outro município, não de viagem, férias ou temporada.

Some-se o art. 1.583, § 3º: na guarda compartilhada, a cidade considerada base de moradia dos filhos será aquela que melhor atender aos interesses dos filhos. O critério, portanto, não é a conveniência de nenhum dos adultos.

Mudar sem autorização tem consequência?

Tem, e são mais sérias do que a maioria imagina.

E há um ponto processual que costuma surpreender quem muda por conta própria: o art. 8º da Lei 12.318/2010 estabelece que a alteração de domicílio da criança é irrelevante para a determinação da competência nas ações fundadas em direito de convivência familiar, salvo se decorrente de consenso. Ou seja, mudar não leva o processo junto.

Precisa mudar e não há acordo?

Mudar primeiro e discutir depois é o caminho que mais custa, porque transforma uma pretensão legítima em descumprimento. O escritório conduz o pedido de autorização judicial e também a defesa de quem foi surpreendido por uma mudança.

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Como se pede a autorização ao juiz?

Por ação própria, com pedido de suprimento do consentimento. O que decide não é o direito da mãe ou do pai de recomeçar a vida, mas a demonstração de que a mudança atende ao interesse da criança.

O que costuma pesar na decisão
ElementoComo se demonstra
Motivo concreto da mudançaProposta de emprego, matrícula, rede de apoio familiar
Melhoria real para a criançaEscola, tratamento de saúde, moradia, segurança
Preservação do vínculo com o outro genitorPlano de convivência detalhado e custeado
Histórico de convivênciaQuem exerce de fato os cuidados diários
Opinião da criançaConforme a idade e o discernimento, ouvida pelo juízo
Viabilidade econômica do deslocamentoQuem paga passagens e com que frequência

O pedido que costuma ser deferido é o que chega com a solução do problema do outro lado já desenhada: calendário de convivência ampliado em férias e feriados, divisão clara do custo das viagens, contato por vídeo em dias fixos e compromisso de informar endereço e escola. O pedido que costuma ser indeferido é o que só apresenta as vantagens de quem quer mudar.

E quando a mudança é para outro país?

A exigência é a mesma e mais rigorosa. O art. 1.634, IV, trata separadamente do consentimento para viajar ao exterior, e a saída definitiva do país envolve ainda a documentação de autorização de viagem e, havendo retenção indevida, a disciplina internacional de restituição de crianças.

Para quem já está em litígio, o conselho prático é anterior ao direito: qualquer plano de mudança internacional discutido com antecedência e documentado tende a ser resolvido por acordo. Executado de surpresa, vira o pior tipo de processo, com medida de urgência e desgaste que a criança sente.

O que fazer se o outro genitor já mudou

Respostas rápidas

Em resumo

  • O consentimento para mudar a residência do filho de município é de ambos os pais (art. 1.634, V).
  • Na guarda compartilhada, a cidade base de moradia é a que melhor atende ao interesse dos filhos (art. 1.583, § 3º).
  • Mudar sem autorização expõe a pedido de retorno, revisão de guarda e discussão de alienação parental.
  • A mudança não desloca a competência do processo (art. 8º da Lei 12.318/2010).
  • O pedido bem construído traz o plano de convivência e o custeio das viagens já resolvidos.
  • Quem foi surpreendido deve agir rápido, porque o tempo consolida o fato.

Perguntas frequentes

A mãe pode mudar de cidade com o filho sem autorização do pai?

Em regra não. O art. 1.634, V, do Código Civil atribui a ambos os pais, qualquer que seja a situação conjugal, a competência para conceder ou negar consentimento para que o filho mude sua residência permanente para outro município. Havendo recusa, a solução é judicial: pede-se ao juiz o suprimento do consentimento, demonstrando que a mudança atende ao interesse da criança.

O que acontece se eu mudar sem avisar?

O outro genitor pode pedir o retorno da criança e a revisão da guarda. O art. 1.584, § 4º, do Código Civil prevê que a alteração não autorizada de cláusula de guarda pode implicar redução de prerrogativas de quem a detém. Além disso, o art. 2º, parágrafo único, VII, da Lei 12.318/2010 lista expressamente a mudança para local distante, sem justificativa e com o fim de dificultar a convivência, como forma de alienação parental.

Se eu mudar, o processo passa para a nova comarca?

Não passa. O art. 8º da Lei 12.318/2010 estabelece que a alteração de domicílio da criança ou do adolescente é irrelevante para a determinação da competência relacionada às ações fundadas em direito de convivência familiar, salvo se decorrente de consenso entre os genitores.

O que o juiz analisa para autorizar a mudança?

O interesse da criança, não a conveniência do adulto. Pesam o motivo concreto da mudança, a melhoria efetiva nas condições de vida do filho, o histórico de quem exerce os cuidados diários, a opinião da criança conforme a idade e, com peso decisivo, o plano apresentado para preservar a convivência com o genitor que fica, incluindo quem arcará com o custo dos deslocamentos.

Na guarda compartilhada, quem decide a cidade onde a criança mora?

Nenhum dos pais isoladamente. O art. 1.583, § 3º, do Código Civil estabelece que, na guarda compartilhada, a cidade considerada base de moradia dos filhos será aquela que melhor atender aos interesses dos filhos. Não havendo consenso, a definição é judicial.

O pai pode simplesmente proibir por não querer?

A recusa existe como direito, mas não é absoluta nem imotivada. Se a negativa não se apoia em prejuízo real à criança e serve apenas para obstruir, ela tende a ser superada pelo suprimento judicial do consentimento, e a conduta pode, conforme o caso, ser examinada à luz da própria Lei 12.318/2010.

Base legal citada

  • Código Civil, art. 1.634, V — consentimento de ambos os pais para mudança de residência para outro município
  • Código Civil, art. 1.634, IV — consentimento para viagem ao exterior
  • Código Civil, art. 1.583, § 3º — cidade base de moradia na guarda compartilhada
  • Código Civil, art. 1.584, § 4º — redução de prerrogativas por alteração não autorizada de guarda
  • Lei 12.318/2010, art. 2º, parágrafo único, VII — mudança de domicílio como forma de alienação parental
  • Lei 12.318/2010, art. 6º, § 1º, incluído pela Lei 14.340/2022 — inversão da obrigação de transporte
  • Lei 12.318/2010, art. 8º — irrelevância da mudança de domicílio para a competência

Conteúdo revisado pelo escritório e fundamentos gerais confirmados em fontes oficiais em 29 de outubro de 2026. A aplicação de cada regra depende dos documentos e das circunstâncias do caso concreto.